Page 23 - Informativo Cembra Nº15
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As demandas sobre os recursos marinhos e o uso do mar em geral aumentaram substancialmente nas   Nos últimos anos, o PEM ganhou relevância e projeção nacional e internacional, tendo o Estado
 últimas décadas. De acordo com o relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento   brasileiro  assumido,  durante  a  Conferência  da  ONU  para  o  Oceano  em  2017,  o  compromisso
 Econômico (OCDE), de 2016, o Oceano representa a 7ª maior economia do mundo e estima-se que   voluntário de implantá-lo no País até 2030.
 o valor gerado pela indústria oceânica globalmente poderia dobrar de 1,5 trilhão de dólares em
 valor agregado em 2010 para 3 trilhões de dólares em 2030. Setores como aquicultura marinha,   Para fins de estudo e execução do PEM, a Amazônia
 pesca, processamento de pescado, atividades portuárias e eólicas offshore são apontados como   Azul, dada sua imensidão de 5,7 milhões de
 os de maior potencial de crescimento.                    quilômetros quadrados, foi dividida em 4 grandes
                                                          regiões marinhas (Figura a seguir), a saber:
 Em  razão  disso,  a  manutenção  da  saúde  do  Oceano  vem  ganhando  prioridade  nos  fóruns   Norte  (composta  pelos  estados  do  Amapá,  Pará  e
 internacionais que tratam do tema. As Nações Unidas instituíram o período de 2021 a 2030 como   Maranhão), Nordeste (Piauí, Ceará, Rio Grande do
 a “Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável”, também conhecida como a   Norte,  Paraíba,  Pernambuco,  Alagoas,  Sergipe  e
 “Década do Oceano”, com a intenção de promover a ciência e a difusão de tecnologias oceânicas,   Bahia), Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro e São
 integrando cientistas, empresários, organizações da sociedade civil e governos.  Paulo) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
                                                          do Sul).
 Detentor de uma das maiores biodiversidades terrestres e marinhas do planeta, o Brasil encontra-
 se alinhado à comunidade internacional na preocupação com as “novas ameaças”, destacadamente      A primeira etapa de estudo e implementação
 o combate à poluição marinha, à pesca ilegal, às pesquisas não autorizadas e à pirataria. Para   do PEM, nomeada Projeto-Piloto, será estabelecida
 enfrentar  essas  ameaças,  em  grande  parte  transfronteiriças,  torna-se  crucial  incrementar  a   na região marinha Sul do País. Tal escolha deve-se
 Segurança Marítima no País.                              à  significativa  disponibilidade  de  dados  e  à  con-
                                                          centração de instituições de pesquisa com tradição
                                                          em estudos costeiros e marinhos nos 3 estados da
                                                          região; à diversidade de habitats e ecossistemas; à
                                                          representatividade  espacial  (corresponde  a 13%  da
                                                          Amazônia Azul); e à existência de fronteira marítima
                                                          com o Uruguai, que exigirá amplas tratativas com o
                                                          país vizinho. Concluído o Projeto-Piloto, o próximo
                                                          passo será replicar o modelo do PEM adotado no Sul
          As 4 regiões marinhas do PEM no Brasil
                                                          para as demais regiões marinhas do Brasil.

          Dentre  as  mais  relevantes  entregas  do  PEM,  destaca-se  o  incremento  da  segurança  jurídica,
          que desempenha um papel crucial no fomento e no desenvolvimento das atividades marítimas,
          proporcionando um ambiente estável e previsível para investidores, operadores e demais
          stakeholders. Em um setor tão diversificado e interconectado como o marítimo, onde atividades
          como navegação, pesca, exploração de recursos e energias renováveis ocorrem simultaneamente,
          um arcabouço legal sólido é essencial para garantir a ordem e a proteção dos interesses envolvidos.
          A clareza nas leis e regulamentações marítimas não apenas promove a confiança dos investidores
          e resguarda o Estado costeiro, mas também contribui para a prevenção de conflitos, a segurança
          das operações e a sustentabilidade ambiental.

          Destarte, considera-se que o PEM será o grande “motor propulsor” da Economia Azul no Brasil,

 Equipe de Inspeção Naval da Capitania dos Portos de Macaé aborda barco de pesca em 2024  uma vez que promoverá, simultaneamente, o incremento da segurança jurídica, fomentará a
          geração de empregos e de divisas, mediante o estímulo de atividades sustentáveis no mar, além
 No cenário geopolítico mundial, observa-se uma escalada das ambições por recursos marinhos e   de contribuir para a salvaguarda dos necessários serviços ecossistêmicos, para a mitigação de
 uma preocupante “Territorialização do Oceano”. Diante da probabilidade de exaustão dos recursos   conflitos no ambiente marinho e para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da
 em terra, o Oceano emerge como a última fronteira viável para países costeiros, levando a ações   Agenda 2030 da ONU, compromisso internacional ratificado pelo país em 2015.
 unilaterais e tensões geopolíticas. Nesse contexto, o Planejamento Espacial Marinho (PEM) surge
 como um instrumento essencial, assegurando a governança e a soberania necessárias à Amazônia
 Azul. O PEM, coordenado pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar
 (SECIRM), promove o uso compartilhado e sustentável do ambiente marinho, impulsionando a
 geração de divisas e de empregos, garantindo segurança jurídica para investidores e para o Estado,
 e respeitando interesses ambientais, estratégicos e de Defesa Nacional. Segundo a UNESCO, o
 “Planejamento  Espacial  Marinho  é  um  processo  público  de  análise  e  alocação  da  distribuição
 espacial e temporal de atividades humanas em áreas marinhas, para alcançar objetivos ecológicos,
 econômicos e sociais que geralmente foram especificados através de um processo político”.




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