Page 5 - Informativo Cembra - Maio 2016 - Nº 3
P. 5

Informativo
    Matéria de Capa

        NAVIO ESCOLA E OCEANOGRÁFICO ‘‘ALMIRANTE SALDANHA’’


                                                                Para preencher essa lacuna, o SALDANHA
                                                             foi  construído  no  estaleiro  Vickers  Armstrong
                                                             Ltd, em Barrow in Furness, Inglaterra. Um belo
                                                             veleiro,  à  altura  para  substituir  aquele  que
                                                             inspirou a conhecida Canção do Marinheiro -
                                                             "Cisne  Branco".  Com  3.325  toneladas  de
                                                             deslocamento, 93,39 metros de comprimento
                                                             e 15,85 metros de boca, calando 5,5 metros, o
                                                             clássico veleiro foi armado em Lugar-Escuna
                                                             de quatro mastros além do gurupés. O mastro
                                                             de  vante  redondo  cruzando  vergas  para
                                                             Traquete,  Velacho  Baixo,  Velacho  Alto  e
                                                             Joanete,  os  demais,  latinos,  vestindo  pano
         Demandando a Baia da Guanabara pela primeira vez em 24 de outubro
            de 1934, arvorando a tradicional Flâmula de Fim de Comissão.  triangular  ou  quadrangular,  Giba,  Bujarrona,
                                                             Estais,  Gafe-Topes  e  Latinos  propriamente
                   insigne Chefe Naval Luiz Filipe de
                                                             ditos.  Ao  largar  todas  as  19  velas  existentes,
                   Saldanha  da  Gama,  o  Almirante
                                                             abria  ao  vento  2.510  metros  quadrados  de
          OSaldanha, morto em combate ao
                                                             pano, ... tempos dos "Talha-ao-Lais".
        fim  da  Revolta  da  Armada,  emprestou  seu
                                                                E foi como um cisne de nívea plumagem
        nome para adorno da popa, orgulho e honra
                                                             que cruzou pelos mares do globo desde sua
        de um dos navios mais peculiares e longevos
                                                             incorporação  em  11  de  junho  de  1934.  À
        da Marinha do Brasil. Tendo participado das
                                                             sombra do auriverde pavilhão, conduziu nos
        Campanhas  do  Uruguai  e  do  Paraguai,
                                                             conveses  o  toque  final  do  preparo  de  14
        Saldanha  demonstrou  verdadeiras  aptidões
                                                             turmas recém-formadas em Villegagnon.        Até
        pela  carreira  que  abraçou.  Patriota,  militar
                                                             que, em 1954, encerrou a última Viagem de
        austero,  quer  empenhado  em  duros
                                                             Instrução de Guardas-Marinha, deixando de
        combates  no  período  da  guerra,  quer
                                                             ser o NE "ALMIRANTE SALDANHA".
        moldando  futuros  oficiais,  como  Diretor  da
        Escola Naval, nos últimos anos de sua carreira.
          O navio, cujo batimento de quilha ocorreu
        em junho de 1933, dando início à construção
        de um navio-escola a vela, mesmo tendo sido
        transformado  em  navio  de  pesquisa
        oceanográfica  posteriormente,  na  década
        de 60, não perdeu o caráter de insubstituível
        "Escola de Mar" a cada um dos milhares de
        viajantes  que  nele  tiveram  o  privilégio  de
        embarcar.
          Com  a  baixa  do  Cruzador  "BENJAMIN
        CONSTANT"  em  1926,  a  Marinha  ressentiu-se
        por  não  dispor,  à  época,  de  um  navio
        adequado  para  concluir  o  preparo  dos
        Guardas-marinha. Comum em grande parte
        às  marinhas  do  mundo,  ainda  hoje  a
                                                                       Guardas-Marinha à proa, praticando o uso do
        navegação  a  vela  é  considerada  como  a                       sextante para navegação astronômica.
        "Escola  de  Mar"  por  excelência,  ensinando
                                                                Foi  então  utilizado  para  realizar  algumas
        respeito,  coragem  e  humildade  frente  aos
                                                             sondagens  hidrográficas  esporádicas,  sob  o
        desafios  impostos  pelos  elementos  àqueles
                                                             controle operativo da Diretoria de Hidrografia
        que  ousam  buscá-los  em  seus  próprios
                                                             e  Navegação  -  DHN.  No  entanto,  sua  alma
        domínios,  ao  longo  de  prolongadas  viagens
                                                             altiva  de  Mestre-Escola,  forjada  na  faina  de
        oceânicas.

    Informativo Cembra 2016                                           ANO 2 • Nº 3 • Edição Semestral            5
   1   2   3   4   5   6   7   8   9   10