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Informativo
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NAVIO ESCOLA E OCEANOGRÁFICO ‘‘ALMIRANTE SALDANHA’’
Para preencher essa lacuna, o SALDANHA
foi construído no estaleiro Vickers Armstrong
Ltd, em Barrow in Furness, Inglaterra. Um belo
veleiro, à altura para substituir aquele que
inspirou a conhecida Canção do Marinheiro -
"Cisne Branco". Com 3.325 toneladas de
deslocamento, 93,39 metros de comprimento
e 15,85 metros de boca, calando 5,5 metros, o
clássico veleiro foi armado em Lugar-Escuna
de quatro mastros além do gurupés. O mastro
de vante redondo cruzando vergas para
Traquete, Velacho Baixo, Velacho Alto e
Joanete, os demais, latinos, vestindo pano
Demandando a Baia da Guanabara pela primeira vez em 24 de outubro
de 1934, arvorando a tradicional Flâmula de Fim de Comissão. triangular ou quadrangular, Giba, Bujarrona,
Estais, Gafe-Topes e Latinos propriamente
insigne Chefe Naval Luiz Filipe de
ditos. Ao largar todas as 19 velas existentes,
Saldanha da Gama, o Almirante
abria ao vento 2.510 metros quadrados de
OSaldanha, morto em combate ao
pano, ... tempos dos "Talha-ao-Lais".
fim da Revolta da Armada, emprestou seu
E foi como um cisne de nívea plumagem
nome para adorno da popa, orgulho e honra
que cruzou pelos mares do globo desde sua
de um dos navios mais peculiares e longevos
incorporação em 11 de junho de 1934. À
da Marinha do Brasil. Tendo participado das
sombra do auriverde pavilhão, conduziu nos
Campanhas do Uruguai e do Paraguai,
conveses o toque final do preparo de 14
Saldanha demonstrou verdadeiras aptidões
turmas recém-formadas em Villegagnon. Até
pela carreira que abraçou. Patriota, militar
que, em 1954, encerrou a última Viagem de
austero, quer empenhado em duros
Instrução de Guardas-Marinha, deixando de
combates no período da guerra, quer
ser o NE "ALMIRANTE SALDANHA".
moldando futuros oficiais, como Diretor da
Escola Naval, nos últimos anos de sua carreira.
O navio, cujo batimento de quilha ocorreu
em junho de 1933, dando início à construção
de um navio-escola a vela, mesmo tendo sido
transformado em navio de pesquisa
oceanográfica posteriormente, na década
de 60, não perdeu o caráter de insubstituível
"Escola de Mar" a cada um dos milhares de
viajantes que nele tiveram o privilégio de
embarcar.
Com a baixa do Cruzador "BENJAMIN
CONSTANT" em 1926, a Marinha ressentiu-se
por não dispor, à época, de um navio
adequado para concluir o preparo dos
Guardas-marinha. Comum em grande parte
às marinhas do mundo, ainda hoje a
Guardas-Marinha à proa, praticando o uso do
navegação a vela é considerada como a sextante para navegação astronômica.
"Escola de Mar" por excelência, ensinando
Foi então utilizado para realizar algumas
respeito, coragem e humildade frente aos
sondagens hidrográficas esporádicas, sob o
desafios impostos pelos elementos àqueles
controle operativo da Diretoria de Hidrografia
que ousam buscá-los em seus próprios
e Navegação - DHN. No entanto, sua alma
domínios, ao longo de prolongadas viagens
altiva de Mestre-Escola, forjada na faina de
oceânicas.
Informativo Cembra 2016 ANO 2 • Nº 3 • Edição Semestral 5

