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Continuação

                 Em  18  de  agosto  de  aquisição da embarcação. O  Paulo  era  o  Prof.  Dr.  Luiz
          1966  o  casco  do  navio  foi  Prof.  Besnard  faleceu  em  Antonio  da  Gama  e  Silva,
          lançado  ao  mar  no  estaleiro  agosto  de  1960,  sete  anos  sendo a Dra. Martha Vanucci
          da  cidade  norueguesa  de  antes  da  chegada  do  navio  D i r e t o r a   d o   I n s t i t u t o
          Throndhein  e  a  seguir,  ao Porto de Santos.                        Oceanográfico.
          rebocado para o estaleiro em              As  primeiras  verbas              O  navio  chegou  ao
          Bergen,  contratado  para  a  destinadas  à  construção  do  Brasil em 09 de agosto de 1967
          construção  do  navio.  A  navio foram de origem Federal  após cumprir a primeira etapa
          mudança  da  construção  da  e  Estadual,  utilizadas  no  internacional  da  Expedição
          quilha e do casco para outro  projeto  do  navio  elaborado  Vikindio na costa no Atlântico
          estaleiro foi para evitar atrasos  pelo  Escritório  Técnico  de  equatorial  entre  as  Ilhas  Las
          no  cronograma  da  obra.  O  Construção  Naval  da  Escola  Palmas  e  Cabo  Verde.  A
          navio foi batizado no estaleiro  Politécnica  da  USP,  sob  a  equipe  de  pesquisa  era
          A/S Mjellen & Karlsen no dia 05  supervisão  do  Almirante  composta  por  pesquisadores
          de maio de 1967, e no dia 30  Yapery,  e  também  em  brasileiros,  noruegueses  e  um
          foi realizada a solenidade de  atividades  de  consultoria  e  representante  da  FAO.  A
       Matéria de Capa  da comissão responsável pelo  r a p i d a m e n t e   e   f o r a m   t e r c e i r a   e t a p a   f o r a m
          troca  da  bandeira.  Nessa  contatos  com  estaleiros  segunda  etapa  foi  realizada
          solenidade  o  Brasil  foi  nacionais  e  do  exterior.  O  ao  largo  da  costa  leste  do
          representado pelo presidente  p r o c e s s o   a v a n ç o u   Brasil, entre Recife e Vitória. Na

          projeto,  o  Almirante  Yapery  necessárias mais verbas para  realizadas secções na latitude
          Tupiassu  de  Brito  Guerra,  que  o  navio  tornasse  uma  do Banco dos Abrolhos (18°S)
          Coordenador  do  Curso  de  realidade  e  isso  foi  possível  d e s d e   a   p l a t a f o r m a
          Engenharia Naval da USP.
                                             graças ao Plano de Ação do  continental  até  a  Ilha  da
                 Como  antecedentes  Governo  do  Estado  de  São  Trindade e outra ao largo do
          da  construção  do  primeiro  Paulo,  à  concessão  de  mais  Cabo de São Tomé, tendo a
          navio  Oceanográfico  da  verbas Federais e o apoio da  b o r d o   p e s q u i s a d o r e s
          Universidade  de  São  Paulo,  CAPES,  CNPq,  e  da  FAO,  noruegueses e brasileiros (Thor
          imprescindível para  trabalhos  permitindo a contratação do  Kvinge, Odd Henrik Saelen, Luiz
          oceanográficos em alto mar,  engenheiro Hans Zimmer e do  Bruner  de  Miranda,  dentre
          deve-se  destacar  que  foi  o  Prof.  Thor  Kvinge,  ambos  outros).
          Prof.  Wladimir  Besnard,  n o r u e g u e s e s ,   p a r a                 Após  mais  de  40  anos
          primeiro  Diretor  do  Instituto  acompanharem  a  obra  e  em  operação,  o  Navio
          Oceanográfico  da  USP  (na  instalação  de  equipamentos  Oceanográfico  Prof.  W.
          época  Instituto  Paulista  de  no navio.                            Besnard se tornou um ícone na
          Oceanografia), que no fim do              Dois anos após a morte  história  da  Oceanografia
          ano  de  1958  intensificou  as  do Prof. Prof. Wladimir Besnard  brasileira,  permitindo  o
          negociações  e  os  estudos  foi aberta a consulta pública  d e s e n v o l v i m e n t o   d e
          com vista à construção de um  para  a  aquisição  do  navio,  importantes  projetos  de
          n a v i o   o c e a n o g r á f i c o ,   tendo  sido  escolhido  o  p e s q u i s a   e m   á g u a s
          indicando  um  grupo  de  estaleiro  norueguês  A/S  jurisdicionais  brasileiras  e  em
          trabalho  presidido  pelo  Mjellen  &  Karlsen  de  Bergen,  águas internacionais.
          professor  islandês  Ingvar  Noruega.  O  contrato  de                       Além  de  laboratório
          Emílsson, na época chefe da  construção  foi  somente  avançado,  o  navio  da  USP
          seção  de  Oceanografia  assinado dois anos depois por  também  se  colocou  como
          Física. Esse grupo foi composto  representantes  do  Governo  importante instrumento para o
          p o r   f u n c i o n á r i o s   do Estado de São Paulo e do  ensino  em  Oceanografia,
          administrativos,  técnicos  e  estaleiro.  Na  época  o  Dr.  permitindo  o  treinamento
          pesquisadores, dentre os quais  Adhemar  de  Barros  era  o  prático  a  bordo  para  alunos
          a  Dra.  Martha  Vanucci,  que  Governador  do  Estado,  o  d e   g r a d u a ç ã o   e   p ó s -
          mais  tarde  seria  a  primeira  Reitor da Universidade de São  graduação do IOUSP.
          mulher a dirigir o IO no período
                                             Fontes:
          de 1964 a 1969.
                 O  nome  do  navio  é       http://www.io.usp.br/index.php/embarcacoes/n-oc-prof-w-besnard/historico;
                                             http://www.io.usp.br/index.php/embarcacoes/n-oc-prof-w-
          uma  homenagem  a  esse            besnard/apresentacao;
          homem,  cuja  persistência  foi    Diário de Bordo/Edição Especial-2006/07 - 40 anos de navio ao mar: Prof.
          f u n d a m e n t a l   p a r a   a    W. Besnard. - Acervo Memória IOUSP
          realização  do  projeto  de        Texto: Prof. Dr. Luiz Bruner de Miranda;

    Informativo Cembra 2015                                           ANO 1 • Nº 2 • Edição Semestral            6
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