Page 39 - Informativo Cembra - Outubro 2025 - Nº 18
P. 39

regiões importantes dos oceanos (ainda subamostradas) podem ser preenchidas com
             o rastreamento de animais marinhos bem como os desafi os políticos da amostragem
             nas Zonas Econômicas Exclusivas podem ser melhor administrados. Além das regiões
             de altas latitudes, áreas mais extensas em latitudes médias e regiões tropicais exigiriam
             esforços  adicionais  de  monitoramento.  A  análise  da  distribuição  de  boias  fi xas  e  de
             derivas do programa GOOS-BR demonstra que na costa brasileira há a necessidade de
             uma maior cobertura de observações oceanográfi cas.



             As redes observacionais ao longo da costa brasileira são atualmente mais concentradas
             nas regiões Sul e Sudeste, especialmente constituída de plataformas fi xas (marégrafos,
             fundeios de águas rasas e profunda, etc) bóias de deriva e navios de oportunidade que
             monitoram basicamente variáveis físicas. Não há neste momento, no Brasil, uma rede
             dedicada à observação dos oceanos através de telemetria animal, apesar do número
             considerável de iniciativas individuais e isoladas dedicadas ao uso de telemetria para o
             estudo de animais marinhos. A correção dessa distorção marca um importante passo na

             estruturação de um sistema de observação dos oceanos de forma inclusiva e integrada.
             A criação da Rede Nacional de Telemetria Animal Marinha (RAM-BR) objetiva propiciar
             essa integração e fomentar o uso de animais marinhos como plataforma de observação
             oceânica ao longo de toda a costa brasileira.


             O  rastreamento  de  animais  marinhos  para  fi ns  de  observação  oceânica  é  bem  mais
             efetivo e abrangente quando realizado em rede. A implementação de uma rede de tele-
             metria traz consigo uma série de benefícios e desafi os a serem vencidos. A utilização de
             seres vivos como plataformas de observação, independente do grupo animal utilizado,

             exige procedimentos éticos visando o bem estar do animal (Figura 2). Conectar regi-
             ões com interesses e características diversas, como os oceanos e ambientes em zonas
             costeiras, envolve aspectos de logística e metodologia específi cos para cada região. A
             incorporação de VOEs e informações a partir de diferentes grupos de animais requer
             estratégias apropriadas, da mesma forma que a integração das tecnologias diversas
             existentes para cada grupo de animais. A atuação de uma rede demanda destreza para
             lidar com expectativas individuais e formalidades institucionais, principalmente no que

             se refere a compartilhamento de dados e infraestrutura. As atividades desenvolvidas
             requerem formação de recursos humanos capacitados em diversas áreas, desde a bio-
             logia até a engenharia bem como adaptação e desenvolvimento de tecnologias adapta-
             das à realidade local. Em outras palavras, representa uma oportunidade para desenvol-
             ver e inovar capacidades locais num mundo em mudança. É importante ressaltar que
             as atividades aqui descritas devem ser realizadas de forma continuada e sustentável, o
             que exige uma fonte de fi nanciamento de longo prazo. Esses são os maiores desafi os
             inerentes à implementação de uma rede de observação e monitoramento oceânico a
             partir do rastreamento de animais marinhos no Brasil.










                                                    Centro de Excelência para o Mar Brasileiro - Informativo Cembra  39
   34   35   36   37   38   39   40   41   42   43   44